1/3/09

“Dyin ain't much of a livin boy"- CLINT EASTWOOD,outra vez

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À medida que o tempo passa mais eu aprecio Clint Eastwood. Não raras vezes se diz que a fronteira entre o ódio e o amor é ténue e eu tenho dois exemplos, um na música, outro no cinema. Quando ouvi Staples (vocalista dos Tindersticks) cantar e quando vi Clint no cinema pela primeira vez a reacção não podia ter sido pior e para futuro passaria a evitar ambos até que, como se o destino soubesse mais do que eu sobre mim própria, e a sua mão se encarregasse de reordenar os factos, novamente foram colocados na minha rota e de cada vez e com cada um aconteceu aquela revelação interior e esmagadora em que damos por nós a perguntar: mas como é que isto me estava a passar ao lado? Não foi um flash imediato, foi assim como que um encantamento crescente e estimado, alimentado a canções ouvidas à noitinha e filmes procurados uns a seguir aos outros, uma longa e metódica aprendizagem. E hoje, com estes dois, é um amor esclarecido, sólido e duradouro. Vem isto a propósito da minha noite de ontem quando por mero acaso liguei a TV e vejo estar a começar um dos filmes de Eastwood que eu ainda não tinha visto. Não sabia nesse momento que me ia entusiasmar tanto e que hoje estaria a escrever, outra vez, sobre Clint Eastwood! 
The outlaw Josey Wales foi realizado em 1976, muito antes de Unforgiven, de 1992, mas já contém todos os indícios daquilo que Eastwood vem a concretizar neste. É intrigante pensar porque não recebeu prémios, apenas a nomeação para melhor banda sonora, porque não foi tratado como o grande filme que é. Possivelmente em 1976 as pessoas estavam noutra onda e aconteceu-lhe o que sucedeu com Blade Runner quando estreou: ignorado pela maioria, celebrado por poucos, acredito que hoje ninguém o veja sem ficar rendido ao seu valor. Quando desvalorizam o cinema de acção deviam ver este filme. Josey Wales começa como um filme de acção, e assim continua, mas depois é muito mais do que uma fita de acção com o seu herói tipo, motivação e licença para premir o gatilho. Herói tipo que depois vamos perceber antes como anti-herói. A narrativa flui com naturalidade, o tempo é gerido perfeitamente, a música é idealmente adequada às diferentes atmosferas. Uma galeria de personagens notáveis sucede-se ao longo da jornada de Josey, bem caracterizadas, complexas na sua moralidade, qualquer que seja a duração da sua presença em cena. Direcção subtil,planos bem compostos e cenas inesquecíveis pontuam o filme, poderosas, como quando quase no final Josey dispara consecutivamente as suas armas vazias na cara do vilão "redlegs" antes de o matar com a sua própria espada, qualquer descrição que faça será sempre insuficiente. Motivado pela vingança, em fuga pela América em finais da guerra civil, Josey acaba por fazer a paz consigo mesmo reencontrando-se com o ser que era antes do assassinato da sua família, modificado pelas experiências da sua viagem no território e contacto com outros, muitos cadáveres e tabaco mascado depois. Não há palavras a mais, quando as há, murmuradas entre lábios, são importantes. E no final é um duelo de palavras murmuradas entre dentes que fecha a luta e não o tradicional vôo de balas ao nascer do sol. Este remate chegaria só por si para desejar ver o filme novamente pois é de todo inesperada a forma como o confronto entre o traidor Fletcher, -actor de voz absolutamente fantástica, que vem do fundo, - e Josey se resolve. Clint interpreta sobriamente a personagem naquele seu conhecido jeito económico e contido. Nunca nos deixa esquecer que Josey é um homem apanhado pela circunstância e que se debate com os seus dilemas, ou seja, o sucesso da sua vingança não lhe devolve a vida dos que perdeu. Reconhecendo que continuar por esta via é morrer aos poucos também, escolhe renascer. Das trevas para a luz. Este é um filme com happy end, quem diria? Alto, rude e reservado, hábil a matar mas com uma reserva de humanidade sob o peito, é assim o inesquecível cowboy Josey Wales. Acção, humor, aventura, barbárie, nobreza, bravura, paixão, compaixão, …como é que pode caber tanto numa simples história de índios e cowboys?? É, porque conta com Eastwood, um mestre em toda a linha.

1 comment:

Jorge Castro said...

Uma dica: Já anda por aí "Gran Torino" com o Clint :-)
Já o tenho mas ainda não vi, talvez está semana, se houver tempo.
Se for bom há-de ir parar ao blog.
Beijinhos

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