1/21/09

Obama's Inauguration sob o olhar dos cartoonistas

Vejam mais cartoons aqui!

Inaugurados de fresco


"Pick yourself up, dust yourself off"
Fred Astaire-Ginger Rogers movie called "Swing Time",1936
(Sim, foi ontem, mas não tive tempo para escrever nada sobre o assunto...e hoje também não.Todavia não deve faltar quem o tenha feito...)
"Meus caros cidadãos:
Aqui estou hoje, humilde perante a tarefa à nossa frente, grato pela confiança que depositaram em mim, consciente dos sacrifícios que os nossos antepassados enfrentaram. Agradeço ao Presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, assim como a generosidade e a cooperação que demonstrou durante esta transição.Quarenta e quatro americanos fizeram até agora o juramento presidencial. Os discursos foram feitos durante vagas de crescente prosperidade e águas calmas de paz. No entanto, muitas vezes a tomada de posse ocorre no meio de nuvens espessas e furiosas tempestades. Nesses momentos, a América perseverou não só devido ao talento ou à visão dos que ocupavam altos cargos mas porque Nós o Povo permanecemos fiéis aos ideais dos nossos antepassados e aos nossos documentos fundadores.Assim tem sido. E assim deve ser com esta geração de americanos.Que estamos no meio de uma crise, já todos sabem. A nossa nação está em guerra, contra uma vasta rede de violência e ódio. A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era. Perderam-se casas; empregos foram extintos, negócios encerraram. O nosso sistema de saúde é muito oneroso; para muita gente as nossas escolas falharam; e cada dia traz-nos mais provas de que o modo como usamos a energia reforça os nossos adversários e ameaça o nosso planeta.Estes são indicadores de crise, resultado de dados e de estatística. Menos mensurável mas não menos profunda é a perda de confiança na nossa terra - um medo incómodo de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve baixar as expectativas. Hoje eu digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Não serão resolvidos facilmente nem num curto espaço de tempo. Mas fica a saber, América - eles serão resolvidos.Neste dia, unimo-nos porque escolhemos a esperança e não o medo, a unidade de objectivo e não o conflito e a discórdiaNeste dia, viemos para proclamar o fim dos ressentimentos mesquinhos e falsas promessas, as recriminações e dogmas gastos, que há tanto tempo estrangulam a nossa política. Continuamos a ser uma nação jovem, mas nas palavras da Escritura, chegou a hora de pôr as infantilidades de lado. Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história; de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração; a promessa de Deus de que todos somos iguais, todos somos livres, e todos merecemos uma oportunidade de tentar obter a felicidade completa.Ao reafirmar a grandeza da nossa nação, compreendemos que a grandeza nunca é um dado adquirido. Deve ser conquistada. A nossa viagem nunca foi feita de atalhos ou de aceitar o mínimo. Não tem sido o caminho dos que hesitam – dos que preferem o divertimento ao trabalho, ou que procuram apenas os prazeres da riqueza e da fama. Pelo contrário, tem sido o dos que correm riscos, os que agem, os que fazem as coisas – alguns reconhecidos mas, mais frequentemente, mulheres e homens desconhecidos no seu labor, que nos conduziram por um longo e acidentado caminho rumo à prosperidade e à liberdade.Por nós, pegaram nos seus parcos bens e atravessaram oceanos em busca de uma nova vida.Por nós, eles labutaram em condições de exploração e instalaram-se no Oeste; suportaram o golpe do chicote e lavraram a terra dura. Por nós, eles combateram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandia e Khe Sahn. Tantas vezes estes homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até as suas mãos ficarem ásperas para que pudéssemos viver uma vida melhor. Eles viram a América como maior do que a soma das nossas ambições individuais; maior do que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.Esta é a viagem que hoje continuamos. Permanecemos a nação mais poderosa e próspera na Terra. Os nossos trabalhadores não são menos produtivos do que eram quando a crise começou. As nossas mentes não são menos inventivas, os nossos produtos e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada ou no mês passado ou no ano passado. A nossa capacidade não foi diminuída. Mas o nosso tempo de intransigência, de proteger interesses tacanhos e de adiar decisões desagradáveis – esse tempo seguramente que passou. A partir de hoje, devemos levantar-nos, sacudir a poeira e começar a tarefa de refazer a América.Para onde quer que olhamos, há trabalho para fazer. O estado da economia pede acção, corajosa e rápida, e nós vamos agir – não só para criar novos empregos mas para lançar novas bases de crescimento. Vamos construir estradas e pontes, redes eléctricas e linhas digitais que alimentam o nosso comércio e nos ligam uns aos outros. Vamos recolocar a ciência no seu devido lugar e dominar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade do serviço de saúde e diminuir o seu custo. Vamos domar o sol e os ventos e a terra para abastecer os nossos carros e pôr a funcionar as nossas fábricas. E vamos transformar as nossas escolas e universidades para satisfazer as exigências de uma nova era. Podemos fazer tudo isto. E tudo isto iremos fazer. Há alguns que, agora, questionam a escala das nossas ambições – que sugerem que o nosso sistema não pode tolerar muitos planos grandiosos. As suas memórias são curtas. Esqueceram-se do que este país já fez; o que homens e mulheres livres podem fazer quando à imaginação se junta um objectivo comum, e à necessidade a coragem.O que os cínicos não compreendem é que o chão se mexeu debaixo dos seus pés – que os imutáveis argumentos políticos que há tanto tempo nos consomem já não se aplicam. A pergunta que hoje fazemos não é se o nosso governo é demasiado grande ou demasiado pequeno, mas se funciona – se ajuda famílias a encontrar empregos com salários decentes, cuidados de saúde que possam pagar, pensões de reformas que sejam dignas. Onde a resposta for sim, tencionamos seguir em frente. Onde a resposta for não, programas chegarão ao fim.E aqueles de nós que gerem os dólares do povo serão responsabilizados – para gastarem com sensatez, reformarem maus hábitos e conduzirem os nossos negócios à luz do dia – porque só então poderemos restaurar a confiança vital entre o povo e o seu governo.Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não só da dimensão do nosso Produto Interno Bruto, mas do alcance da nossa prosperidade; da nossa capacidade em oferecer oportunidades a todos – não por caridade, mas porque é o caminho mais seguro para o nosso bem comum.Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos como falsa a escolha entre a nossa segurança e os nossos ideais. Os nossos Pais Fundadores, face a perigos que mal conseguimos imaginar, redigiram uma carta para assegurar o estado de direito e os direitos humanos, uma carta que se expandiu com o sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e não vamos abdicar deles por oportunismo. E por isso, aos outros povos e governos que nos estão a ver hoje, das grandes capitais à pequena aldeia onde o meu pai nasceu: saibam que a América é amiga de todas as nações e de todos os homens, mulheres e crianças que procuram um futuro de paz e dignidade, e que estamos prontos para liderar mais uma vez.Recordem que as primeiras gerações enfrentaram o fascismo e o comunismo não só com mísseis e tanques mas com alianças sólidas e convicções fortes. Compreenderam que só o nosso poder não nos protege nem nos permite agir como mais nos agradar. Pelo contrário, sabiam que o nosso poder aumenta com o seu uso prudente; a nossa segurança emana da justeza da nossa causa, da força do nosso exemplo, das qualidades moderadas de humildade e contenção.Nós somos os guardiões deste legado. Guiados por estes princípios uma vez mais, podemos enfrentar essas novas ameaças que exigem ainda maior esforço – ainda maior cooperação e compreensão entre nações. Vamos começar responsavelmente a deixar o Iraque para o seu povo, e a forjar uma paz arduamente conquistada no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos inimigos, vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e afastar o espectro do aquecimento do planeta. Não vamos pedir desculpa pelo nosso modo de vida, nem vamos hesitar na sua defesa, e àqueles que querem realizar os seus objectivos pelo terror e assassínio de inocentes, dizemos agora que o nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; não podem sobreviver-nos, e nós vamos derrotar-vos.Porque nós sabemos que a nossa herança de diversidade é uma força, não uma fraqueza. Nós somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus – e não crentes. Somos moldados por todas as línguas e culturas, vindas de todos os cantos desta Terra; e porque provámos o líquido amargo da guerra civil e da segregação, e emergimos desse capítulo sombrio mais fortes e mais unidos, não podemos deixar de acreditar que velhos ódios um dia passarão; que as linhas da tribo em breve se dissolverão; que à medida que o mundo se torna mais pequeno, a nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América deve desempenhar o seu papel em promover uma nova era de paz. Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado.Aos povos das nações mais pobres, prometemos cooperar convosco para que os vossos campos floresçam e as vossas águas corram limpas; para dar alimento aos corpos famintos e aos espíritos sedentos de saber. E às nações, como a nossa, que gozam de relativa riqueza, dizemos que não podemos mais mostrar indiferença perante o sofrimento fora das nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem prestar atenção aos seus efeitos. Porque o mundo mudou, e devemos mudar com ele.Ao olharmos para o caminho à nossa frente, lembremos com humilde gratidão os bravos americanos que, neste preciso momento, patrulham desertos longínquos e montanhas distantes. Eles têm alguma coisa para nos dizer hoje, tal como os heróis caídos em Arlington fazem ouvir a sua voz. Honramo-los não apenas porque são guardiões da nossa liberdade, mas porque incorporam o espírito de serviço; uma vontade de dar significado a algo maior do que eles próprios. E neste momento – um momento que definirá uma geração – é este espírito que deve habitar em todos nós. Porque, por mais que o governo possa e deva fazer, a nação assenta na fé e na determinação do povo americano. É a generosidade de acomodar o desconhecido quando os diques rebentam, o altruísmo dos trabalhadores que preferem reduzir os seus horários a ver um amigo perder o emprego que nos revelam quem somos nas nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro ao entrar por uma escada cheia de fumo, mas também a disponibilidade dos pais para criar um filho, que acabará por selar o nosso destino. Os nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com que os enfrentamos podem ser novos. Mas os valores de que depende o nosso sucesso – trabalho árduo e honestidade, coragem e fair play, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo – estas coisas são antigas. Estas coisas são verdadeiras. Têm sido a força silenciosa do progresso ao longo da nossa história. O que é pedido, então, é o regresso a essas verdades. O que nos é exigido agora é uma nova era de responsabilidade – um reconhecimento, da parte de cada americano, de que temos obrigações para connosco, com a nossa nação, e com o mundo, deveres que aceitamos com satisfação e não com má vontade, firmes no conhecimento de que nada satisfaz mais o espírito, nem define o nosso carácter, do que entregarmo-nos todos a uma tarefa difícil.Este é o preço e a promessa da cidadania.Esta é a fonte da nossa confiança – o conhecimento de que Deus nos chama para moldar um destino incerto.Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo – é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento.Por isso, marquemos este dia com a lembrança do quem somos e quão longe fomos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas juntou-se à beira de ténues fogueiras nas margens de um rio gelado. A capital tinha sido abandonada. O inimigo avançava. A neve estava manchada de sangue. No momento em que o resultado da nossa revolução era incerto, o pai da nossa nação ordenou que estas palavras fossem lidas ao povo:“Que o mundo que há-de vir saiba que... num Inverno rigoroso, quando nada excepto a esperança e a virtude podiam sobreviver... a cidade e o país, alarmados com um perigo comum, vieram para [o] enfrentar.” América. Face aos nossos perigos comuns, neste Inverno das nossas dificuldades, lembremo-nos dessas palavras intemporais. Com esperança e virtude, enfrentemos uma vez mais as correntes geladas e suportemos as tempestades que vierem. Que seja dito aos filhos dos nossos filhos que quando fomos testados recusámos que esta viagem terminasse, que não recuámos nem vacilámos; e com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levámos adiante a grande dádiva da liberdade e entregámo-la em segurança às futuras gerações". Presidente Obama (Tradução: PÚBLICO)

1/18/09

FESTA DE ADEUS A BUSH!




Se ainda não tem planos para ir a uma festa amanhã, segunda-feira, porque não passar a ter? Se ninguém das suas relações celebra aniversário ou qualquer outra data festiva, porque não juntar-se a uma das festas de despedida do Presidente Bush? E se não houver nenhuma a realizar-se perto de si também pode organizar uma. Veja tudo sobre a maior festa de despedida jamais feita a um presidente em Bush Bye Bye Party. Eu sei, é uma palermice, Bush nunca me deu grande motivo para rir mas o site tem imensa piada a começar pela possibilidade de escolha entre Non Official Bush Language/Official Bush Language e a terminar nos downloads: posters de divulgação,autocolantes, jogos, frases para t-shirts...uma paródia pegada em torno da figura do presidente cessante. Tudo serve para brincar,as suas célebres argoladas, Barney,o cão, os chefes de Estado-por acaso esqueceram-se do mister Barroso.Ninguém leva a mal, ainda não é Carnaval, mas estamos quase lá...


E só mais esta:





1/17/09

O avião, a selva de baton e a Maria (e as outras)

( Foto retirada daqui!)
Sexta-feira à noite. Haja paciência para ver as notícias. Observem como os obreiros dos telejornais conseguem estragar completamente a notícia de um facto extraordinário – a amaragem de um avião de passageiros no rio Hudson e consequente busca e salvamento de todos os que seguiam a bordo. Acontece um facto inédito e convocam logo meia dúzia de especialistas ou quase nas mais diversas áreas relacionadas para irem debitar explicações frente à câmara em autênticas mesas redondas. As perguntas que lhes fazem nem sempre são as mais pertinentes e as respostas que eles dão também deixam por vezes um pouco a desejar.Mas a gente compreende, coitados, sem direito a teleponto e com o nervoso miudinho de prémière esta gente arrisca-se a fazer fraca figura a não ser que já tenha experiência de luzes e palco.Em jeito de grande revelação científica alguém desbobina então que há pessoas que até ficam mais fortalecidas psicologicamente depois de passaram por uma experiência traumática como esta, o que a jornalista se apressa a confirmar, “ o que não nos mata torna-nos mais fortes!” Obviamente, está visto. Os obreiros da TV exploram depois a situação de todos os ângulos possíveis e de repente a notícia passa a reportagem: estaria o aeroporto de Lisboa preparado para dar resposta a uma situação destas? Mas esta gente quer o quê?Acagaçar-nos?! A resposta face ao desastre começaria, no entender da jornalista, por saber a quem ligar para accionar os meios.Devia ser isso porque a jornalista fez vários telefonemas para descobrir que afinal não era o aeroporto que accionava os meios. Não, isso era antes responsabilidade da Protecção Civil, ah, espera, era da Marinha, ah?, não, era antes da Força Aérea...ahh...o quê? E eu às voltas no sofá: claro que não seria de esperar que uma jornalista soubesse a quem ligar em caso de acidente aéreo e daí ter de fazer várias chamadas!Mas daí a arrastar-nos na sua pesquisa e transformá-la em reportagem?!!Ora, não saberia o responsável no aeroporto de Lisboa fazer esse tal simples e único telefonema? Coisa difícil para esse funcionário, hem?!,quase tão difícil quanto amarar o avião no Hudson. Que diabo, ainda nos fazem parecer mais incompetentes do que aquilo que já somos! Curiosamente e no final da peça fiquei sem saber,em concreto, quais são os meios disponíveis existentes para fazer face a um acidente do género no Tejo!!!!!!Ou seja: queriam dar uma resposta...e deixaram-me com uma interrogação.Continuando. Ou sou muito diferente do espectador comum,ou estou a ficar diminuida mental,juro.Não percebo o que poderá acrescentar à notícia a reconstituição do voo acidentado num simulador, com o respectivo instrutor a dizer meia dúzia de palavras tiradas a saca-rolhas, "vamo-nos fazer à pista", "aqui a aeronave já estaria com problemas", como se estivesse a fazer um grande frete por estar ali, e se calhar estava. É que nem toda a gente quer desesperadamente 15 minutos de fama e aquele homem às tantas preferia estar em casa a construir modelos de aviões da Planeta Agostini.Além do mais isto é como ver os making off dos filmes que têm efeitos especiais: perceber como é que o caça do Luke Skywalker voa até à Estrela da Morte retira metade da espectaculariedade à cena. Não me expliquem como é que o piloto conseguiu amarar e eu vou achar que o homem é Deus; expliquem-me, eu despromovo-o a piloto competente. Em resumo: o meu interesse pela notícia-espectáculo do dia (anterior) entrou rapidamente em queda livre, esgotada qualquer margem de manobra para a minha paciência ou capacidade mental para abranger tanta criatividade. Mudei de canal, e mudei de canal.E mudei de canal.

(Joe e Victory, par romântico de Lipstick Jungle)


Como estava muito cansada fiquei pelo sofá e acabei por ver mais um episódio da Lipstick Jungle, um sucedâneo pobre de Sex and the city, inspirado em livro da mesma Candace Bushnell que escreveu a história das quatro nova iorquinas da vida airada.Candace tem feito sucesso a escrever com base na fórmula mulheres, romance, dinheiro, moda."Selva de baton" -acaso conseguem imaginar uma série portuguesa com este nome a ser levada a sério?!-estreou no horário de Men in trees (Amor no Alaska) a que eu achava bastante piada. Não sei porquê sempre gostei de ver televisão à sexta à noite, uns videos,uns DVD, qualquer coisa assim, é uma boa maneira de iniciar o fim de semana e descomprimir. Embora não goste da série e apenas a veja quando não há mesmo nada de melhor para fazer, ontem vi uma cena de minuto e meio que está ao nível de qualquer bom filme romântico, "you own my heart, Joe,"- diz a Victory, muito bonito. Noite adentro vi ainda um filme português de 2004 com a Catarina Furtado.Facto extraordinário e digno de nota já que eu nem gosto muito de a ver a apresentar programas. Na altura da estreia este filme passou-me tão ao lado que nem me lembro do cartaz! Não sei se teve muitos espectadores ou não.Maria e as outras não é mais do que uma espécie de Sexo e a cidade em versão adaptada à sociedade portuguesa. Impunha-se o downgrade, isto é cortar com o excesso de haute couture e griffes, haute coiffure e maquilhagem à prova de noites mal dormidas,saltos de agulha em escritórios de gabarito, conversa desbragada sbre sexo, etc.A vida é aqui mais terra a terra,menos glamourosa e atribulada mas nem por isso menos moderna ou desprovida de surpresas. Escrito por Possidónio Cachapa e filmado por José de Sá Caetano, digo isto com agradável surpresa, vi até ao fim. É claro que podia ser um melhor filme e se o tivesse visto numa sala de cinema estaria agora a chorar o meu rico dinheiro. Mas em modo de telefilme de sexta-feira à noite não tenho nada a acrescentar a não ser que, se fosse série, talvez voltasse na semana seguinte para ver mais aventuras das três mulheres.Por esta não estava eu à espera. (Catarina Furtado em Maria e as outras)

1/15/09

O HOMEM QUE CORTOU O DEDO NO TRIBUNAL JUDICIAL DA FIGUEIRA DA FOZ


Certamente já viram um filme sobre a Yakusa onde alguém corta um dedo e o embrulha num lenço entregando-o a um chefe. É sempre um momento de arrepiar estômago mas fica sempre bem. Trata-se de um ritual de perdão entre gangsters. Se um indivíduo falha na sua missão tem de pedir desculpa. Ao mesmo tempo isso significa também que a lealdade para com todo o grupo não foi quebrada. Isto pode ser feito de livre vontade ou não. Salvo erro são os dedos mindinhos que são utilizados no ritual e por cada ofensa eles cortam uma parte do dedo, possivelmente pela articulação, o que daria seis hipóteses de errar. Não sei se depois disso começam a cortar pelo braço acima!! Isso eu nunca vi! As pessoas ficam marcadas e acabam assim por ser reconhecidas como yakusa. Se deixam o gang e têm dinheiro recorrem a cirurgia reconstrutiva pois a falta dos dedos é estigmatizante. Ora vem isto a propósito do recente caso do homem que cortou o dedo aos bocadinhos em frente da juíza no Tribunal Judicial da Figueira da Foz. Se Santana Lopes colocou a Figueira na moda, o sr. Orico colocou-a na página dos insólitos judiciais. Parece que em causa estava a abertura de propostas de venda de bens penhorados cujo resultado não terá agradado ao empresário. Como conheço o tribunal fruto da minha breve actividade jurídica foi-me fácil imaginar toda a cena ao ler as notícias que têm vindo a ser escritas em vários jornais. Mas, mais do que cinema japonês eu imaginei uma cena mais à Dexter, devidamente espirrada de sangue. À primeira vista parece ter sido um acto de desnorte de uma pessoa desesperada. Mais um maluco à solta, - terão pensado muitos- Portugal está perdido, já não há nada que não aconteça, não estamos seguros em lado algum !Mas na verdade o Sr. Orico talvez tenha feito o que fez de forma muito consciente e com conhecimento do simbolismo envolvido no seu acto. Primeiro lembrei-me logo dos Yakusa! Será que o sr. Orico também gosta de cinema japonês como eu? Todavia, fazer o que fez à luz do ritual Yakusa não teria qualquer sentido. Mas há mais sociedades onde cortar dedos é algo mais ou menos comum. À luz da nossa cultura ocidental este homem não passa de mais um grande maluco que a crise dos nossos dias gerou, mas na Coreia, penso que é na Coreia, este ritual de cortar dedos tem um sentido diferente: aí sim, é usado como forma de protesto, é uma forma de dizer que não se esquecem as ofensas feitas. Espero que doravante os portugueses, sempre tão dados a importar costumes de outras culturas, não comecem a utilizar esta forma de protestar nos tribunais, nas finanças, nas Câmaras e noutros locais públicos. Com tamanha quantidade de injustiçados já estou a ver as autoridades a instalarem cepos, serviços de limpeza e de enfermagem nos ditos locais. Por outro lado podia ser uma forma de criar mais postos de trabalho e cumprir a meta de criação de empregos proposta pelo Governo. Será isto uma manobra de marketing socialista?

1/10/09

Voyages of Discover:aventuras no alto mar


Paul Rose trabalha no Departamento de Ciência da BBC.Ele apresenta programas sobre ciência e história da ciência. Voyages of discover é uma série documental composta por cinco histórias de aventura no alto mar. Antigo presidente da Royal Geographical Society, Rose possui talentos invejáveis: é explorador e líder de expedições, instrutor de mergulho subamarino, guia de montanha, navegador, consultor em segurança na montanha e, além disso, um excelente comunicador.Conduziu expedições científicas a lugares remotos do planeta e apresenta Voyages of Discover.Vi o episódio dedicado ao Capitão Cook e à viagem do Endeavour. Excelente! Agora quero ver os outros, um dos quais é dedicado a Fernão de Magalhães e à sua viagem de circumnavegação.Sem tempo para escrever mais...

1/6/09

Sarah Palin, campeã de tiro?!!


Sarah Pallin é campeã. Não, não é campeã de tiro, como talvez se possa pensar olhando a capa do seu calendário. Esta verdadeira mulher de armas, assim parece, podia ter sido vice-presidente dos Estados Unidos. Como não conseguiu resolveu posar para um calendário que se tornou best-seller de vendas na Amazon...e nem precisou de tirar a roupa, vá lá perceber-se isto!!
O calendário 2009 que fiz e que disponibilizei aos visitantes do meu blog para download não é tão atractivo,confesso...Para a próxima faço umas montagens no Photoshop com a Odete Santos de cachaporra na mão!Sucesso garantido.

1/4/09

PIOR FILME DE SEMPRE SOBRE FUTEBOL:"BEST"(2000)

George em 2005,fotografado voluntariamente no hospital (Youtube)
George em 1972, em entrevista (Youtube)
Digamos que eu não sou exactamente uma entusiasta da bola.Mas oriento-me. À medida que Cristiano Ronaldo se tem afirmado no Manchester United não tem faltado quem procure medir semelhanças e dissemelhanças entre Cristiano e George Best, quer dentro das quatro linhas, quer fora delas. Seja pela mestria no jogo, seja pela vida social colorida, seja pela ligação ao mundo da moda, os dois parecem unidos por vários pontos de contacto. Não vou escrever sobre futebol, vi um filme sobre George Best. E não gostei.Futebol e cinema, desculpem lá, acho que é uma mistura complicada. Conhecem algum bom filme sobre futebol?!! Realizado e produzido por Mary McGuckian a partir de argumento por si também elaborado, Best é uma desilusão. Limita-se a mostrar-nos o que previsivelmente todos já sabíamos sobre o jogador mais famoso do Manchester United e do futebol inglês: glória e decadência, de um lado o génio futebolístico, do outro a submissão ao vício do álcool. Lá nos vai driblando ao longo de uma história mal contada através de lances de arquivo, até nos recorda que o Benfica já foi uma grande e temida equipa...derrotada por Best, mas enfim, temida, tinha o Eusébio. Lá aparecem os presidentes típicos e discursos de vitória, treinadores vociferantes e mandões em jeito de comandantes das tropas...e,por outro lado, a histeria das fãs, as bombas vermelhas de alta cilindrada, casinos e clubes nocturnos e afro-perucas, as mulheres como anjos do mal, muitos casacos de peles e muitas garrafas nos armários. Muitos adereços mas pouco conteúdo, exceptuando o álcool. Eu já sabia que ele tinha sido um prodígio, não precisei de ser convencida.Mas e se precisasse? Mmmm...E uma cena em que Best se agarra ao poste da balisa e solta um senhor grito?!O que foi aquilo?!!Não, não foi celebração, daquela maneira parecia mais agonia existencial!!! Mas, após ter marcado um cabaz de golos?!Não percebi.Mas além de uma foot-star em jeito pop,-tal como ele próprio se auto-proclamou,- Best também foi um indivíduo da moda, um party animal, um galã sexy. Tudo isso inexiste no filme,não passa da tentativa, e afinal também faz parte do mito. Foi também por isso que quando George Best chamou os fotógrafos e se deixou fotografar praticamente moribundo ele foi novamente o melhor. Em 2005, data do seu falecimento, as televisões e os jornais encheram-se de notícias sobre o Quinto Beatle. Na sua derradeira mensagem -“não morram como eu”- ele deu ao mundo o que de melhor podia dar naquele momento, expondo-se em toda a sua amargura e vulnerabilidade, para dizer aos jovens que tanto idolatram as estrelas, do relvado, da moda, da música, que não importa viver a qualquer custo, importa, sim, saber viver. Está em rodagem desde Novembro um novo filme sobre Best. Produzido pela BBC2 e ainda sem título, prevê-se que vá estrear na Primavera.O papel de Best está entregue a Tom Payne.Esperemos que desta vez consigam fazer melhor, o homem merece!(P.S.E, ó Ronaldo,podes achar que és o maior, que és um bonzão e tal, podes jogar bem e tudo o mais, mas o Best era o que as inglesas chamam "a real fox" e eu não sou inglesa mas concordo inteiramente, aí, meu amigo, não há comparação que te valha...)

1/3/09

“Dyin ain't much of a livin boy"- CLINT EASTWOOD,outra vez

Ver trailer no ZUGUIDE, aqui.
(O ZUGUIDE é um site repleto de trailers de alta qualidade, muito fácil de usar.)
À medida que o tempo passa mais eu aprecio Clint Eastwood. Não raras vezes se diz que a fronteira entre o ódio e o amor é ténue e eu tenho dois exemplos, um na música, outro no cinema. Quando ouvi Staples (vocalista dos Tindersticks) cantar e quando vi Clint no cinema pela primeira vez a reacção não podia ter sido pior e para futuro passaria a evitar ambos até que, como se o destino soubesse mais do que eu sobre mim própria, e a sua mão se encarregasse de reordenar os factos, novamente foram colocados na minha rota e de cada vez e com cada um aconteceu aquela revelação interior e esmagadora em que damos por nós a perguntar: mas como é que isto me estava a passar ao lado? Não foi um flash imediato, foi assim como que um encantamento crescente e estimado, alimentado a canções ouvidas à noitinha e filmes procurados uns a seguir aos outros, uma longa e metódica aprendizagem. E hoje, com estes dois, é um amor esclarecido, sólido e duradouro. Vem isto a propósito da minha noite de ontem quando por mero acaso liguei a TV e vejo estar a começar um dos filmes de Eastwood que eu ainda não tinha visto. Não sabia nesse momento que me ia entusiasmar tanto e que hoje estaria a escrever, outra vez, sobre Clint Eastwood! 
The outlaw Josey Wales foi realizado em 1976, muito antes de Unforgiven, de 1992, mas já contém todos os indícios daquilo que Eastwood vem a concretizar neste. É intrigante pensar porque não recebeu prémios, apenas a nomeação para melhor banda sonora, porque não foi tratado como o grande filme que é. Possivelmente em 1976 as pessoas estavam noutra onda e aconteceu-lhe o que sucedeu com Blade Runner quando estreou: ignorado pela maioria, celebrado por poucos, acredito que hoje ninguém o veja sem ficar rendido ao seu valor. Quando desvalorizam o cinema de acção deviam ver este filme. Josey Wales começa como um filme de acção, e assim continua, mas depois é muito mais do que uma fita de acção com o seu herói tipo, motivação e licença para premir o gatilho. Herói tipo que depois vamos perceber antes como anti-herói. A narrativa flui com naturalidade, o tempo é gerido perfeitamente, a música é idealmente adequada às diferentes atmosferas. Uma galeria de personagens notáveis sucede-se ao longo da jornada de Josey, bem caracterizadas, complexas na sua moralidade, qualquer que seja a duração da sua presença em cena. Direcção subtil,planos bem compostos e cenas inesquecíveis pontuam o filme, poderosas, como quando quase no final Josey dispara consecutivamente as suas armas vazias na cara do vilão "redlegs" antes de o matar com a sua própria espada, qualquer descrição que faça será sempre insuficiente. Motivado pela vingança, em fuga pela América em finais da guerra civil, Josey acaba por fazer a paz consigo mesmo reencontrando-se com o ser que era antes do assassinato da sua família, modificado pelas experiências da sua viagem no território e contacto com outros, muitos cadáveres e tabaco mascado depois. Não há palavras a mais, quando as há, murmuradas entre lábios, são importantes. E no final é um duelo de palavras murmuradas entre dentes que fecha a luta e não o tradicional vôo de balas ao nascer do sol. Este remate chegaria só por si para desejar ver o filme novamente pois é de todo inesperada a forma como o confronto entre o traidor Fletcher, -actor de voz absolutamente fantástica, que vem do fundo, - e Josey se resolve. Clint interpreta sobriamente a personagem naquele seu conhecido jeito económico e contido. Nunca nos deixa esquecer que Josey é um homem apanhado pela circunstância e que se debate com os seus dilemas, ou seja, o sucesso da sua vingança não lhe devolve a vida dos que perdeu. Reconhecendo que continuar por esta via é morrer aos poucos também, escolhe renascer. Das trevas para a luz. Este é um filme com happy end, quem diria? Alto, rude e reservado, hábil a matar mas com uma reserva de humanidade sob o peito, é assim o inesquecível cowboy Josey Wales. Acção, humor, aventura, barbárie, nobreza, bravura, paixão, compaixão, …como é que pode caber tanto numa simples história de índios e cowboys?? É, porque conta com Eastwood, um mestre em toda a linha.

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