8/31/08

PRAIA e PARQUÍMETROS



Pedida emprestada a www.raim.blogspot.com
Arrumadores de banhistas,eis uma completa desnecessidade na Figueira da Foz.Há espaço para manobrar à vontade as nossas toalhas! Aqui só se encontram mesmo os verdadeiros arrumadores de veículos e em parques repletos de parquímetros pois sítio para estacionar a viatura gratuitamente é coisa que escasseia.Parque à socapa em terreno mal amanhado com arrumador genuíno e verdadeiramente útil,isso não há.Tudo bem marcadinho no chão é que é lindo,evoluido e europeu.Até mesmo nos metros de alcatrão que antecedem as passadeiras de peões e onde é proibido estacionar de acordo com o Código da Estrada, se bem estou recordada das lições,exemplo típico está na avenida marginal,lá estão as linhas.Mas até parece que não é assim: aí a lei do negócio dos parquímetros ultrapassou o Código da Estrada-o artista,o verdadeiro artista, que traçou as linhas,entregue à sua liberdade criativa,assim o entendeu.Mas se nós aí deixarmos a viatura decerto não seremos ultrapassados pelo agente que anda a fiscalizar sem sermos agraciados com uma contra-ordenação.Na semana que vem já chega o Outono,a romaria do tráfego já serenou.Eu já estou com saudades do Verão e ele ainda não terminou.Este ano quase não dei pelo estio. Não preciso de arrumador que me indique o caminho do Verão, é para sul que me apetece seguir, fugir ao que aí vem.Com mais ou menos aquecimento global o Inverno é coisa certa:os céus fechados,frio,as roupas casulo.Não é a chuva que me aflige,até simpatizo com a percussão das grandes bátegas ou as canções de embalar da água a correr nas valetas ou a banda sonora do pingar miúdo na vidraça.A mim o que me aflige é a ausência do Sol.Estavam certos os antigos quando fizeram dele o seu deus e o adoravam,estavam tão certos.Porque o Sol é realmente uma força criadora que nos transmite energia em toda a forma.Sem ele sinto-me uma plantinha mirrada e triste.Considerações sobre o tempo ou a conversa-ou o post - que se faz quando não há nenhuma-nenhum- melhor,dirão.Dizem vocês.Mas...

8/28/08

THE MUSEUM OF BAD ART- EXISTE MESMO!!

O Museu da Má Arte acaba de publicar uma obra prima: este livro!Com imensa piada dizem-nos que os artistas que criaram estas obras sofreram para o conseguir...e que agora é a nossa vez de sofrer! O Museu existe desde 1994 em Somerville,nos EUA, e ocupa a base de um teatro. As obras vieram até mesmo do lixo de onde foram resgatadas ao olvido!!Já têm 400 peças e exibem 30-40 por falta de espaço...Aqui fica o site,para sofrer solidariamente com a má arte!

8/27/08

PHOTOS THAT CHANGED THE WORLD - UM SITE A VISITAR

8/26/08

MAMMA MIA!



Em 1981 ele era o irlandês Rory na TV,já quase ninguém se lembra!
Mais tarde é um golpista que se torna detective,treinos para o futuro 007...
Ainda tirou uma licença de 80 dias para andar à volta do Mundo!

E actualmente?!!Mamma mia! Nem me atrevo a imaginar!Por aqui já é sabido o que penso do Pierce Brosnan,o que penso dele pelo menos desde 1981.Encontrei uma preciosidade no YouTube-algumas imagens da série da ABC Os Manions da America. Hoje ver este excerto faz-me sorrir mas em 1981,mais ou menos por essa altura,quando a nossa televisão passou a série, eu não perdia um único episódio por causa do Rory O'Manion.Eu gosto de musicais mas tenho a certeza, eu quase juraria mesmo sem ainda ter ouvido uma nota, que o Pierce Brosnan deve cantar ainda pior que o Johnny Depp.Digam-me depois,eu acho que não vou ver este Mamma Mia...ABBA,ilhas gregas, e o Pierce Brosnan a cantar?!S.O.S! (save our souls)

THE WEATHER MAN_MÚSICA PARA O INVERNO (JÁ)


O homem do tempo.Os cartazes de que me lembrava captam afinal os dois Dave Spritz que convivem na personagem, o Dave do início da história,derrotado e oprimido pelos constrangimentos da vida adulta, condecorado de fresco com uma colher colada na lapela ensopada em batido de chocolate atirado na rua, e o Dave mais controlado, carregando o arco e flechas às costas, mais seguro...ou conformado do final. O filme começou e tinha uma bola vermelha no canto,portanto,sinal de coisas violentas.Sexo.Palavras feias...Eu, que me lembrava do cartaz, fiquei todo o filme à espera que o Nicholas Cage disparasse uma flecha ao peito de alguém,retribuindo impulsivamente a fast food que lhe atiram à cara quando vai na rua.Raras vezes me senti tão estúpida a ver um filme,verdade.Afinal o máximo que ele faz é esmurrar um molestador de menores disfarçado de tutor de reabilitação juvenil! O filme,contrariamente ao que supunha,não é nada mau, aliás, é bastante interessante,uma comédia negra ou um drama patético, é difícil classificar,abordando problemas comuns mas sem cair em lugares comuns. Mais fácil é dizer que a vida para Dave não é nenhuma beleza americana,ele parece não acreditar – é preciso ouvi-lo ao seu pai- que as coisas mais difíceis de fazer e as acertadas, são normalmente a mesma coisa.É essa a normalidade da vida adulta e por isso a vida é tão dura.Eu também não queria acreditar que o realizador deste filme tivesse feito Piratas das caraíbas e The Ring.Penso que este filme é,ao contrário daqueles, um filme para poucos pois exige alguma paciência: o fracasso não é agradável,especialmente para o fracassado, é é essa a experiência em que O homem do tempo aposta envolver-nos a meio caminho entre o pesar e o riso.Em termos plásticos é o Inverno que Verbinski filmou que nos fica na memória.Até eu, uma mulher do sol e do Verão, me deixei fascinar pelo depressivo,carregado e belo Inverno de Chicago!Visualmente o filme é requintado:planos e composições muito estudadas,paletas saturadas,linda fotografia.Some-se a isso uma música perfeitamente adequada, que já fui catar para ouvir melhor,-experimentem ouvir PlingPlong e The weather man,no link- e uma cadência que dá tempo ao Homem do tempo...e temos a atmosfera perfeita para Dave narrar a sua história de um homem que faz das tripas coração para se superar.Às vezes um filme que evitámos ver no passado atravessa-se no nosso ecrã a horas tardias e subitamente torna-se a paisagem visual e sonora ideal desse momento:que parte de mim estaria ontem com saudades do Inverno?


8/20/08

AOS MURROS A TUDO NA FIGUEIRA DA FOZ

Já por diversas vezes consertei electrodomésticos com um bom murro: o aspirador, por exemplo.Agora foi a vez da maquineta fotográfica de brincar.Ainda hoje de manhã fui à Box do Jumbo comprar um disco externo e lá andei a rondar as digitais como um cão faminto.Mas o modelo que eu quero não está lá e,mais do que isso, não há dinheiro para comprar a ambicionada maquineta, para já.Hoje fui até à praia fazer a despedida pois nos próximos oito dias não posso desviar-me da minha rota: há que concluir um projecto gráfico e o sol tem de esperar nem que seja até para o ano.Retirei a máquina do saco de praia e dei-lhe umas pancadas secas mais a castigá-la por me ter deixado ficar mal do que a pensar em trazê-la de novo à vida!Qual não é o meu espanto quando vejo o lead acender-se.Ahahahh!!Levei-a então comigo e fiz esta fotografia a partir do ponto onde me encontrava, no areal da Figueira da Foz, a uma distância tranquila das ondas que andam um pouco desnorteadas por estes dias.Eu seria uma criatura muito mais feliz se pudesse ir à praia todo o ano. Não sou pessoa de lá passar o dia inteiro mas uma horinha de sol diário faz maravilhas à minha alma.Já olharam bem um malmequer?Já viram que é uma flor que parece sorrir?Tem aquele olhinho amarelo como um sol e as pétalas, como pequenos braços, parecem dançar todas contentes à sua volta, gratas por terem abraçado aquele calor que agora nos transmitem,assim generosamente abertas para nós.É isso, é uma flor contente, em nada se assemelha às torturadas rosas enrodilhadas onde se escondem segredos murmurados entre pétalas.É o efeito do sol no malmequer, é como o efeito do sol em mim. Ora isto que parece conversa de Primavera é tudo fruto da boa disposição que essa horinha mágica de sol diário me comunica.Detesto o Inverno!Começo a contagem descendente para o Verão ainda mal se cheiram castanhas assadas!E gosto, efectivamente, da praia da Figueira.Gosto do areal enorme com espaço para todos e do alheamento que ele me permite, longe da estrada, longe de tudo.Gosto da água moderadamente fria...tem dias em que é impossível entrar, faz doer até ao osso...mas é assim!O ano passado estive no Algarve numa praia onde vou desde criança e embora as promessas de água morna e sol constante sejam cativantes o resto não é assim tanto agora que cresci.Prefiro este areal à língua de areia onde passei as tardes de Setembro,aos equipamentos chiques e à companhia de espanhóis e ingleses.Prefiro a direcção que o sol aqui tem,prefiro, até, um sol menos quente e um ventito ligeiro,desde que não frio, como este que tem soprado ultimamente.Prefiro a minha caminhada de casa até às areias do que, imaginem, ter a varanda sobre o mar,atravessar a rua em bikini e estar na praia.Eu sei que poderei parecer tonta, mas assim é.Por isso quando li no Diário de Coimbra que um punhado de espanhóis ameaçou ir-se daqui por fundados motivos- cimento,lixo,barulho,falta de estacionamento- fiquei triste.Imagino que na Câmara se tenham rido deles e do seu protesto, e que tenham dito:que vão,carago,outros melhores virão.Melhores não, menos interessados pelo rumo que a Figueira no seu entender tomou.Eu fiquei triste não porque eles se possam, de facto, ir embora-e sempre haverá quem perca com isso muito mais do que eu - mas porque eles têm razão em se queixar da degradação que encontram.Eu nunca estive nas praias de Espanha, não posso estabelecer comparações.Mas lembro-me de uma amiga se ter queixado de infestações de baratas e lixo numa das estâncias mais populares de Espanha onde foi veranear, não me recordo o nome.Todavia já estive numa praia italiana que era bastante interessante,Viareggio, nome sobretudo conhecido por causa do extraordinário carnaval.Também lá o vento sopra que se farta,três dias a fio quando começa,segundo me disseram enquanto comia o mais mais majestoso gelado que jamais vi!A maioria das praias da costa de talvez 10 km é concessionada.Encontrei tudo muito arranjadinho.Eu contento-me com muito pouco.Na realidade a praia ideal para mim não teria nada a não ser areia e mar.Mas um certo turismo de praia tem de vender areia e mar, limpos, e muito mais.Os veraneantes exigentes querem qualidade e querem também uma razão para preferirem uma praia a outra.Para uns essa razão pode ser o apenas o clima propício,para outros a hotelaria e a restauração, para outros o pitoresco, para outros a tranquilidade, para outros a animação nocturna,para outros a tradição, para outros ainda, hábitos de gerações-as razões são inúmeras e muitas vezes subjectivas.Podem até basear a sua preferência em várias razões simultaneamente mas bastará um único motivo de desagrado para terem uma razão para partir em busca de outro destino.Até eu,que me contento com pouco, fiquei a cismar com o que encontrei quando fui à praia a primeira vez há duas semanas.Pelo que quando li a notícia no jornal só pude suspirar e dar razão aos queixumes dos nuestros hermanos.No caminho até à praia a existência de uma zona de construção - o polémico e pouco galante edifício da discórdia, que todos os figueirenses já identificaram, -não devia ser desculpa para deixar que as folhas secas e papéis se acumulem junto das árvores,nos passeios próximos e tapumes,dia após dia.Entra-se na praia e a sinalética está toda suja de grafitti, a informação sobre a qualidade da água meio amarfanhada, parece que está lá desde a abertura da época balnear-estará?E à direita os repuxos do ex-oásis,ex-viveiro de ratazanas e presente charco imundo com patos,jorram água amarelada ou verde com cheiro pouco convidativo;a água da vala que corre para lá é suja e a boiar estão sempre sacas plásticas e coisas que nem queremos identificar. Mais para a direita, na direcção de Buracos, a estrutura de bungalows de madeira do (ex-explorado ou a explorar no futuro?!!) restaurante(?)está a degradar-se rapidamente por falta de manutenção e uso.As passadeiras de madeira que levam até ao mar têm traves arrancadas.Mais adiante lançaram fogo a um dos bancos de madeira, as cordas estão partidas, desfiam-se,os poucos cestos de lixo estão cheios até acima ao início da tarde e assim ficam...e lá aparecem os insectos.Existem tantas penas de gaivota a ladear a passadeira que dão para fazer um edredão!Pior: pela areia fora,caminho que temos de fazer assim que acabam as passadeiras, e durante dois dias seguidos encontrei vidros de garrafas de cerveja e arames, razão para nunca mais caminhar na areia sem as minhas velhas Nike...Tudo isto, dirão alguns de vocês, são meros detalhes.Mas se nem dos detalhes cuidamos, o que dizer do resto? Se não podemos mudar o clima, a des-urbanização existente, se não inovamos, se não nos reinventamos, não poderemos ao menos manter o que existe em boas condições?!Era bom que também pudéssemos consertar a praia com um murro como fiz com a minha máquina de fotografar.O grupo de espanhóis deu um murro na mesa do Presidente da Câmara mas ingloriamente - não haverá vontade nem dinheiro para agir.O Verão está no fim não tarda nada, os dias até já estão mais pequenos.Em breve a escuridão invernosa engolirá os seus queixumes e no próximo Verão,quem sabe, estas pessoas não escolherão esta praia.Virão outras menos observadoras,mas sobretudo menos amáveis na sua preocupação para com uma praia que escolheram talvez pela primeira vez e por onde passarão sem dar murros na mesa numa indiferença descontraída e ligeira de quem veio praticamente ao acaso.É desses espanhóis de passagem que a Figueira há-de viver no futuro, ou sobreviver.Viva la España.

8/19/08

PRAIA DE BUARCOS:CINCO HORAS DE MARRADAS

(O típico,tranquilo, mar de Agosto,esta é do ano passado)
Lindo momento para descobrir que a minha máquina digital de brincar tinha dado o peido mestre-não se choquem com a expressão; eu, desde que a ouvi ao meu professor de electrotecnia, no Liceu, a propósito de um amperímetro, uso-a sempre que uma maquineta se fina.Uma enorme onda varria a enseada de Buarcos, parecia um cavalo empinado, e eu achei que era aquela mesmo que merecia o meu click.Qual click!A máquina está morta.Não, não é a bateria, é mesmo a máquina que há uns dias caíu ao chão e de tão boa, morreu da fraca queda.Ontem por volta das cinco,estava eu repimpada a curtir o sol, qual não é o meu espanto vejo o meu vizinho de praia do lado esquerdo, um senhor tisnado e já de certa idade, muito concentrado na leitura, ser engolido pela espuma de uma ondinha rasteira quase até às axilas!Ele levantou-se e puxou toalha e pertences bem mais para trás.Ele e toda a gente que se encontrava na praia da Figueira, junto à orla do mar. As pessoas, já de pé, deixaram então ver os chapéus de praia e os pára-vento espetados na areia molhada ao longo do vasto areal. Eu tinha visto o mar agitar-se.Em apenas meia hora ficou completamente caldeirado.As ondas com a sua crista nervosa e branca começaram a ser cada vez maiores. Começaram a espraiar-se cada vez mais, rápidas, pela areia, mas aquela caçou os banhistas desprevenidos.A bandeira tem estado quase sempre vermelha o que nem é muito vulgar em Agosto. Mas mais invulgar é esta situação de ondulação tão forte. Hoje fui até Buarcos apreciar o espectáculo de outro ângulo. Quando lá cheguei os banhistas agrupavam-se às centenas em frente ao mar,em linha, emoldurando a baía.Atrás de si o espaço era exíguo para tanta toalha.À sua frente a praia tinha sido escavada pela força da maré mas mesmo assim as ondas embaladas subiam encosta acima e molhavam ainda quem atrás deles tentava aproveitar espreguiçadamente o sol, algo indiferente ao mar revolto.Contei três nadadores salvadores à frente da muralha humana. Destacavam-se pela camisola amarela.Na água havia a habitual dezena de intrépidos ou talvez estúpidos ou talvez apenas desrespeitosos jovens a exibir os seus dotes de pega. Desculpem-me mas este tipo de situação lembra-se sempre as largadas de toiros.Um vez vi um video num Expresso Coimbra-Porto que se chamava, salvo erro, Cinco anos de marradas. Era uma sequência interminável de largadas de toiros e de gente a fazer-se aos toiros. Daqui ao Porto,acreditem, foi só gente a levar marrada, gente a ser atirada ao ar pelos negros bichos, gente a ser remexida no chão pelos mesmos enquanto se agarravam à sua própria cabeça, gente a fugir à frente deles, gente a correr atrás deles,e,claro,muita gente a ver os afoitos. Nem é preciso um grande esforço imaginativo para perceber que o que acabo de descrever não é muito diferente daquilo que se estava a passar na enseada de Buarcos:as ondas eram mesmo quinadas, pontiagudas, mas o pessoal eufórico não parava de se atirar para os cornos do mar.No meu acagaçado modo de ser eu não hesito em afirmar que o mar estava impróprio para criaturas sem barbatanas. Mas não para criaturas com pouco juízo,todas obviamente daltónicas já que a bandeira estava bem hasteada e bem vermelha.Lembrei-me vagamente de umas coimas que se passam nesta circunstância e que tanta tinta fizeram gastar,o ano passado.Fiquei à espera de ver a polícia marítima desembarcar- não sei como- ou nadar até aos infractores. Nada.Ou,em suores de farda, furar a muralha humana de gente bronzeada, descalçar os sapatos e arregaçar as calças e começar a ir buscar os meninos um por um, por uma orelha.(Por uma orelha não, cuidado, ainda arriscavam um processo por ofensas físicas.)Os nadadores salvadores também não faziam nada perante a irreverência da juventude. Juraria que nem um assobiozinho sequer mas estava um pouco distante e o mar ruidoso podia abafar o som de aviso que se impunha.Estavam atentos não fosse alguém ser arrastado ou partir o pescoço.Estive lá um bom bocado a ver a rebentação e a prova olímpica-isto fica aqui bem já que estamos em maré de jogos- de desrespeito pela vida.Não falo do desrespeito pela própria - os meninos que façam o que quiserem, atirem-se ao mar,atirem-se aos toiros.Mas agora imaginem a brincadeira a dar para o torto.Alguém teria de meter o pé naquela bagunça e sacar o artista do embaraço,normalmente é sempre o nadador salvador mais um popular ou dois que assim se colocam eles mesmos em perigo.Não apetece mesmo dar um par de sopapos aos cachopos?!!Não se aprende nada nas aulas de educação cívica pois não?!O ano passado vi um quase-afogamento e não foi bonito.Também era Agosto e o mar estava mau, mas apenas razoavelmente mau.A bandeira vermelha também estava hasteada.A rapariga foi apanhada e andou aos rebolões nas ondas até que alguém que acorreu em socorro lhe deitou a mão só para a largar e desistir.Felizmente o mar condoeu-se da imprudente e atirou-a para fora onde um grupo de pessoas logo a agarraram a tempo.A Cruz Vermelha foi buscá-la e ela saíu da praia cambaleante.É impossível assistir a isto sem ficar com o dia de praia estragado por mais que brilhe o sol.Eu respeito o mar tanto quanto o adoro. Mas eu pertenço ao grupo das acagaçadas marinhas, respeito as regras mais por temor do que por educação.Quando me vim embora o mar continuava incansável, a investir.E os meninos à pega.Cinco horas de marradas.

8/18/08

VANESSA FERNANDES:UMA DAS RAZÕES PARA VISITAR A COSTA OESTE DA EUROPA=PORTUGAL

Hoje saí cedo para Coimbra e só quando regressei soube da medalha de prata da Vanessa Fernandes.Eu raras vezes morro de amores por atletas sejam de que nacionalidade for, eu não fixo os nomes deles,eu não escrevo sobre eles, eu não recorto as fotos deles, melhor, eu não faço Copy/Paste das fotos deles a não ser que tenham custado uma pipa de massa, como esta da Vanessa Fernandes, feita por Nick Knight - é que por cá não temos nem fotógrafos com know how, nem sabem usar o Photoshop, nós somos ainda uma terra de bárbaros, mas bárbaros com dinheiro e por isso o demos ao Knight, aos montes! Eu, reconheço,eu que sou uma desportista nula,uma autêntica gimnolesma,eu não me comovo mesmo quase nada com o mais alto, mais rápido, mais forte, mais suado, mais concentrado,mais dolorido, mais sofrido,mais chorado,esses "mais" todos que fazem de um atleta um verdadeiro atleta. Pronto, está dito: o desporto não me comove assim muito,muito,muito.Sou tão limitada que admiro menos a luta renhida pelas medalhas, afinal, a essência da competição, do que a estética desportiva,a grandeza plástica daqueles corpos perfeitamente controlados da cabeça aos pés.E portanto mais centésimos, menos centésimos de segundo, é-me igual.Admiro o puro espectáculo.Tão só.E há até modalidades que não me dizem mesmo nada: atirar coisas pelo ar mais longe que os outros?!Eehheheh!Pois! Gosto de ginástica.Já fiz ginástica e corrida, durou um Verão.Todos os dias lá ia eu para o parque verde.Suor ao litro.Dores de morrer.Depois passaram.O organismo adaptou-se e depois viciou-se.Adorei a experiência.Mês a mês o meu corpo esculpia-se, o esqueleto ganhava uma postura equilibrada.Prometi-me que nunca mais parava.Pois sim, fui vencida pelo general inverno:veio o frio e eu arrumei o meu corpinho junto à lareira. Os anos passaram.Ténis e fatos de treino desapareceram do guarda-roupa.Ainda hoje sou bastante elástica mas a musculatura, coitadita.Devia trabalhá-la.Tenho pesos e uma bicicleta de ginástica,os pesos amparam livros, a bicicleta é um belo cabide para bolsas e o seu assento, útil prateleira onde acumulo as revistas que recebo todos os meses: Advanced Photoshop e Volta ao Mundo.É,todavia, impossível não se ser contagiado pelo espírito e energia dos jogos olímpicos e não acabar a torcer pelos nossos. E de quatro em quatro anos eu sempre vejo algumas provas, a ginástica em especial, provas de mergulho,e as sessões de abertura. Muito se tem discutido sobre os nossos atletas,as suas prestações,as suas desculpas.A medalha de prata da Vanessa vem acalmar o descontentamento mediatizado - "nunca tantos fizeram tão pouco" - e calar a censura profissional de presidentes e entendidos, - "assumam a porcaria que fazem e não arranjem desculpas esfarrapadas por favor, mostrem-se ao nível"- já que muita gente, tenho a certeza, mesmo sem perguntar, não estará assim tão aborrecida quanto isso.Primeiro, porque anda preocupada com outras questões mais cruciais,a praia que não está muito boa para Agosto,por exemplo, segundo porque os jogos olímpicos não são os jogos da bola,são os jogos das cinco bolas.O evento dos cinco anéis coloridos é uma coisa muito sofisticada, com modalidades que quase nunca se vêem na televisão, e que muito português nunca sequer viu ao vivo, quanto mais alguma vez praticou.Em relação aos nossos atletas o povo intui que boa parte deles é malta amadora,malta que vive o desporto pelo amor à camisola,malta que podia aparecer na versão olímpica da Liga dos últimos.Não questiona que quisessem dar o seu melhor,apenas não sabem ainda muito bem o que isso implica. Esta malta olímpica percebeu tarde que lhes saíu a fava do bolo rei: comeram a fatia de bolo e de boca doce sorriam na volta ao estádio ninho-porque conseguiram os mínimos e foram aos jogos,rica festa, boa história de família- mas agora, vem a fava, há que trazer medalhas porque ir aos jogos só para defender os mínimos ou ver os dragões chineses e comer chau min sem garfo- isso não vale.Já foram acusados de tudo em muitos fóruns, de incompetentes para baixo, ou para cima.Eu cá não os acuso de nada, eu sou a tal que já só corre para a cama quando tem sono e que só atira bolas de papel ao cesto,e falha, desenhos que sairam mal.Sou por natureza compreensiva: mesmo com tipos dorminhocos e bonacheirões, que cairam na asneira de fazer uma graçola para a TV como se estivessem no meio dos amigos,eu entendo que o jet lag é tramado, a China não fica ali ao lado como a loja dos chinêses lá da terra, não é?No entender destes sagazes comentadores de notícias que invadem a internet,se estes jogos fossem os antigos jogos gregos, esses nossos atletas seriam os bárbaros, aqueles que não tinham lugar nos jogos, os estrangeiros da Antiguidade. Ou os escravos, ou as mulheres que também não podiam ir, enfim, uns fracotes.Ah,nesses jogos os atletas eram gente bem nascida e abonada.Estão a perceber onde quero chegar?Ir aos jogos e ter dinheiro não era mera coincidência, nem mesmo nessa altura.Até podemos ter um ou outro atleta que se consiga destacar mesmo sem apoios, mas sem apoios estruturados será difícil virmos a ter muitos e resultados serenos.Não me venham dizer que um indivíduo que mete férias do trabalho para treinar é o nosso ideal de método de formação para a alta competição.Exigir aos atletas que compensem em sacrifício, dedicação e entrega aos seus objectivos o apoio que deviam ter, o apoio que alguns, no passado, não tiveram e que tiveram de ultrapassar por si para triunfar não me parece ser o caminho do profissionalismo no desporto exigente,parece-me antes ser a via do tradicional desenrasque português.Em tanta sensaboria se espatifam os nossos impostos e vamos agora questionar este tipo de apoio?Um apoio que só seria dado face a resultados medidos e comprovados?! Alguém me explique isto p.f.Lembremo-nos agora do caso oposto, a selecção nacional: um segundo lugar atrás da Grécia, a ainda menor prestação no adeus do sr.Escolário,há uns meses atrás.Até aqui quase tudo igual.Mas estes moços da bola são apaparicados de toda a forma e feitio, é-lhes é dado o melhor do melhor e até o supérfluo, e se ficam pelo caminho, estes tipos deviam então ser no mínimo crucificados. Então o que é que a Selecção tem que estes atletas portugueses não têm e que a resguarda de provocar mesas redondas televisivas de aceso repudio pela fraca conduta?A Selecção tem e faz dinheiro,é um rico negócio.E tem alguém que manda calar quando algumas bocas começam a fugir para o disparate. Uma coisa que está muito mal e que devia ser proibida é colocar um micro à frente da boca de um atleta.Pois eu acho que estes atletas olímpicos deviam ter um porta voz.Não é justo, nem sequer bonito, que sejam forçados a debitar palavras mal acabam as provas,ainda a luzir de esforço e afogados em decepção as mais das vezes.Um bom e treinado comunicador faria na hora de lidar com o desaire toda a diferença.Na hora do sucesso até o silêncio é eloquente.Muito mais fácil seria adoptar esta medida do que lançar de uma vez por todas e a sério uma verdadeira rede de desporto escolar.Eu disse desporto.Não disse futebol.Parabéns Vanessa!Nós as FERNANDES somos memo BOAS!

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