4/27/08

A HISTÓRIA DE VÁRIAS ABELHAS



Já agora imaginem o barulho das asas de uma abelha e multipliquem por 40.000 pois é esse o número de insectos do enxame avançado pelo jornalista.

Na última página do jornal leio a notícia de duas mulheres que ficaram reféns de um enxame de abelhas num apartamento na Praia da Luz, no Algarve. A expressão “ficaram reféns” não é minha, é mesmo do jornalista Paulo Marcelino. Curiosa coincidência pois ontem mesmo vi, finalmente,A história de uma abelha, gentilmente emprestada pelo meu sobrinho. Sempre que tem um novo título ele empresta à tia,é um amor. Tudo começou com o DVD das tartarugas Ninja entregue acompanhado da preocupada observação de não saber se aquele filme não seria demasiado violento para mim... Eu não fiquei refém do Barry, a abelha do filme. Não vou estar aqui armada em crítica cinematográfica mas achei excessiva tanta citação à cultura popular norte-americana. O que é nacional é bom mas um certo sentido universal fica mais bonito nestes filmes sobretudo quando essa cultura icónica não traz, nem mesmo para as crianças norte-americans, acho eu, nenhum brilho extra.Além disso, um processo judicial estranhamente faça-você-mesmo no meio do argumento,caricaturas e piadas a advogados?!!!Que coisa tão mais batida...e própria de adultos. Muito pouca frescura no todo visual,muita colagem, muita sensação de “já-vi-isto-em-qualquer-parte”, animação mediana que não seria problema se as personagens fossem mais ricas e o argumento mais inspirado. E mais uma vez a sensação de que esta gente pensa em tudo menos nos putos quando faz os filmes.Mas eu ainda me ri com algumas abelhices, não foi tudo mau,mau,mau de todo. Então e hoje, ainda sob o efeito hipnótico das riscas amarelas e pretas, a cena do susto das abelhas no Algarve animou-se delirantemente na minha cabeça, e, verdade, a descrição do jornal é mais adequada para animar crianças do que o argumento de Bee Movie. Eu até já via o Marcelino transformado em boneco, uma espécie de jornalista abelhudo, de micro em punho, a esvoaçar pela cena. E guardas nacionais republicanos e bombeiros equipados a rigor, de máscaras e tudo, não fosse alguma abelhuda ferrar-lhes a ponta do nariz...muito aparato, muito tinonim,tinonim, rua fechada ao trânsito, mirones, ambulância a postos, mas, e ainda antes disso, as duas mulheres,Jenny e Fátima, a tentar afastar as abelhas ziguezagueantes à mangueirada, e estas, a zunir, a zunir, a avançar, imunes aos gritinhos histéricos, cena esta agora mais digna de filme de horror, ao jeito de uma Aracnofobia ou outros onde a bicharada miúdinha se une em força para fazer a vida negra aos humanos.Já agora que mencionei união imaginem o barulho das asas de uma abelha e multipliquem por 40.000 pois é esse o número de insectos do enxame avançado pelo jornalista. E as duas humanas indefesas,olhos arregalados e faces ruborizadas- é Algarve, está calor- ou talvez pálidas, - quem tem cu tem medo - a recuarem até à varanda da casa e a suplicarem auxílio, mais provavelmente a usarem os telemóveis- quais donzelas em apuros verdadeiramente encurraladas ali, naquele exíguo espaço, enquanto o enxame crescia a bom crescer no beiral da porta da entrada! E daí, até serem reféns das abelhas vai apenas um título de notícia num jornal de grande tiragem.Resta saber se estas também iriam pedir um resgate em mel à maneira da estratégia em Bee Movie. Ainda pensei que fosse ler isso umas linhas abaixo, mas não.Não admira que Jenny e Fátima se confessassem com medo à equipa da SIC, três horas na varanda a ouvir a sinfonia das abelhas em crescendo lá em baixo, no beiral, enquanto os agentes da autoridade localizavam e traziam até si um apicultor da zona de nome José Júlio. E o homem,que deve ter chegado sem tinonitinoni mas munido de coisas básicas e necessárias e eficazes como duas mantas para embrulhar as senhoras em pânico e assim fazê-las sair,protegidas, para a rua, lá reconduziu as abelhas transviadas para dentro de uma colmeia: atraidas por um guloso favo de mel e pólen levaram cinco horas para se acomodar na nova casa.O nosso herói, qual cowboy solitário, deixou o local do incidente ao som do aplauso dos mirones anónimos, sob objectivas de cameras e olhares invejosos das impotentes forças policiais. Consigo levou uma colmeia debaixo do braço e 40.000 abelhas.Havia confetti e serpentinas no ar e até já se fala em adaptar esta história ao moderno cinema português.Bzzzzzzzzzzzzz.

No comments:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...