5/1/07

O voto, o spam, a Bruxa, o ministro Methuen, os ingleses e a Selecção Nacional


Há alguns posts atrás publiquei um pequeno exemplo da arte urbana de Musgoman, dizendo que ele fazia, entre outras coisas GRAFFITI. Um instante após surgia um comentário anónimo que apelidava Musgoman de “atrasado”. Eu fiquei indignada.Ora eu acho que não há necessidade de sermos mal educados na blogosfera. Hoje fui eu o alvo de um comentário agreste por parte um Blogger que se sentiu, por sua vez,indignado com o facto de eu lhe ter deixado um comentário onde pedia um voto para a minha Bruxa. (Concedo que é uma espécie de publicidade, talvez indevida, mas onde estão as regras da blogosfera? Existe um código?!) Diz-me ele que é rude da minha parte exigir-lhe (pedir-lhe,escrevi eu) que vote no meu selo e que não foi para isso que se iniciou na blogagem. Antes de me enxotar literalmente de lá para fora e de me dizer para me manter longe do seu blog ainda fez questão de afirmar que não votaria na Bruxa. Eu pedi desculpa ao ofendido mas agora apetece-me divagar um pouco em defesa do meu spam e também porque encontrei a justificação para a atitude do bife. É possível que existam mais pessoas ofendidas,inglesas ou portuguesas, eu, de facto, não imaginava que isso fosse suceder!A Bruxinha nem sequer é pornográfica! Mas podiam-se-me dirigir de forma mais elegante! Britânicos, é o que é. Pouco me importa que a aliança diplomática mais antiga que se conhece tenha acontecido entre Portugal e Inglaterra, é o célebre Tratado de Windsor, feito depois dos inglesinhos nos terem vindo ajudar a expulsar os espanholinhos na Batalha de Aljubarrota. (Não gosto de escrever sobre história, se existir por aqui alguma imprecisão não se espantem! Corrijam-me!) O que eu recordo mesmo e que me ocorreu hoje foi o Tratado de Methueen. Como devem saber, ou talvez não, este acordo comercial entre Portugal e Inglaterra envolve vinho e tecidos. Duas coisas que me são gratas, já que na minha opinião ainda não se inventou melhor bebida para celebrar uma boa refeição e nós temos alguns de muito boa qualidade. E tecidos, bom, qualquer mulher minimamente vaidosa tem um fraquinho por bons tecidos, digo bons tecidos, não trapos com uma etiqueta da moda lá pregada. Já não sei qual dos meus professores de história me apresentou este tratado, mas sei que ele foi tramado para Portugal. Lembro-me vagamente que Inglaterra podia importar o nosso vinho com imposto mais baixo do que o de outros países e nós permitíamos a importação de tecidos ingleses em condições idênticas. As nossas fábricas de tecidos pararam e em três tempos o mercado foi inundado por trapinhos ingleses. Qualquer coisa assim. História nunca foi o meu forte, repito. A partir daí eu fiquei a não simpatizar com a malta da ilha que teima em ser diferente (condução, corrente eléctrica, sistema métrico…?!) embora gostasse do Sherlock Holmes. No meu 12º ano, disciplina de Inglês, fui obrigada a estudar história de Inglaterra, e até simpatizei com algumas das suas personagens e episódios, mas nunca esqueci a afronta de termos sido enrolados pelo ministro(chanceler, embaixador?) Methueen e de que maneira. E um dia eis que fui a Londres e os britânicos trataram-me muito bem: o taxista, o rapper pedrado no parque Regent, a senhora que vendia postais e caricaturas que o filho desenhava no Covent Gardner, o empregado da Tower- mas quem é que se lembra de comprar CD em Londres senão uma parva melómana como eu?!!!- , a caixa do supermercado quando eu estava à toa com as pound, os pence, o pénis, perdão, o penny, enfim toda a gente! Eu estranhei. Ia à espera de encontrar uns tipos hirtos, de faces pálidas e inexpressivas, monossilábicos, tipo serial killers de filmes cheios de nevoeiro londrino. Nada disso. Talvez fossem efeitos remotos do tal pacto de amizade eterna entre portugueses e britânicos, o Tratado de Windsor, não há dúvida de que eles se devem todos lembrar disso, talvez um pouco menos do que eu me lembro do Chaucer, do Shakespeare… ou dos Beatles, oh, yes, Be-Bop-a-Lula, I should have known better! É triste constatar que os outros países exportam a sua cultura e enchem com ela este nosso rectângulo como se fosse um balão..e nós?! Nós brincamos com o balão, mas não conseguimos encher os balões deles com o nosso ar (nem) de graça. Está explicado porque é que sinto um prazer enorme em ver a Selecção Nacional a derrotar os bifes no relvado. Acreditem que é verdade. Cada golo nas balizas de Sua Majestade é um regresso ao passado, um pontapé naquele Tratado infame, que se diz ter feito parar a nossa industrialização e progresso, e do qual muito deve ter rido o ministro Metheun enquanto abocanhava pastelinhos de Belém e emborcava um copo de Porto (por certo os pastelinhos ainda não tinham sido inventados, but then, who cares?) mirando o Tejo. Agora rimos nós, nem que seja aos pontapés na bola! Juro-vos que não há equipa que eu mais goste de ver vencida por nós do que a inglesa. Agora que os tempos da ingenuidade comercial estão longe ainda temos de ver Tony Blair nas Lajes. A ingenuidade política tomou-lhe o lugar.(Também não gosto de escrever sobre política, mas aquela reunião é um marco sujo, não é?) Methuen explica porque é que o Blogger britânico me enxotou de lá para fora. Ele não sabe, mas está-lhe na massa do sangue desprezar portugueses. E eu deveria saber melhor que não se pedem votos ao inimigo mas nunca tinha feito campanha.Faltou-me diplomacia. O facto desta criatura lusa inferior não ter prestado vassalagem ao ilustre súbdito de Sua Majestade foi para ele uma terrível afronta, deve ter ficado really pissed: numa vertigem, séculos de história tomaram conta do seu ser, a face passou de pálida a ros(e)bife. Afinal é tudo uma questão de comércio: eu dou-te um comentário bonito e elogioso sobre os lindos desenhos que tu fazes e tu dás-me um voto bonito e solidário. Mas eu não estive com rodeios, fui directa ao assunto...e para bom inglês, meia palavra (não) basta. Como é que eu fui tão ingénua e me atrevi a desequilibrar a balança comercial?!
N.B.Atentem nos belos postais ilustrados-as cabeças decapitadas de Carlos e Diana.Que mimo!

7 comments:

Capitão-Mor said...

Realmente não havia necessidade nenhuma desse fulano se exaltar dessa forma! Até nesses pontos se nota, que as pessoas estão cada vez mais ocupadas com os seus próprios umbigos, não cedendo no mínimo de solidariedade ou amizade para com os outros.
Bom feriado!

Meg said...

Olá Belinha
Vim até cá, através do Maurício.
Adoro seus trablhos, suas idéias e os filmes que gosta.
Isto só at fisrst sight:-)
Um grande beijinho
Meg

P.S A-do-ro o HOUSE!

Meg said...

E não ligue. Muitos hão de votar na Bruxinha. Escute o que lhe escrevo:-))

Capitão-Mor said...

Inventei mais uma interactividade lá nos trópicos...

david santos said...

Querida amiga Belinha! Estou-te francamente grato pelo apoio que me prestas-te. Já estive a fazer a experiência conforme o nosso amigo Moinante me ensinou, mas ainda não consegui. Contudo, já quase tenho a certeza que consigo. Quanto ao ter mudado o blog para beta, não sei. Sei que um amigo meu me alterou isto outro dia. Mas, sinceramente, não tenho a certeza. Tenho dois filhos formados nestas áreas, mas não querem que eu esteja sempre por aqui. Querem que eu vá passaer. Embora eu tenha um curso na área de informática, tirei na Universidade Católica, Porto, a verdade é que não tenho grandes conhecimentos. Naquele tempo, ainda era o Lotus 123. Já foi há muito ano. Mas com o meu neto, o Daniel, de 9 anos, cá me vou desenrascando. Os meu filhos nem acreditam que tenha sido o meu neto que colocou os contadores. Até andam marados! Desculpa o termo. Mas voltando ao trabalho do nosso amigo Moinante, por agora, ainda não vou trabalhar com ele. Pois vou começar com a minha preparação em Literatura e vou deixar um pouco o blog. Tenho "medo" de ficar mal e caso isso aconteça, só volto a ter hipóteses para o ano que vem. Quanto à multiplicidade de visitantes que o meu blog tem, eu gostava que todos os blogs portugueses fizessem o mesmo. Pois isso seria muito bom, não só para conhecermos outras culturas, como para divulgarmos a nossa.
Belinha, aparece de quando em vez para eu conversar um pouco contigo, porque embora eu tenha o teu blog nos meus favoritos, com a pressa de visitar todos os blogs que me visitam, muitos amigos ficam para trás.
Abraços e parabéns pelo teu trabalho. Até sempre.

james said...

Precisamos, por vezes, ter calma com nossos irmãos insulares. Eles carregam muitos preconceitos, mas no fundo se identificam muito com a cultura lusa.
Gostaram, por exemplo, de brincar de império no ultra-mar ou de tomar o chá que os portugueses trouxeram da Índia.

Um abraço.

jpg - o sineiro said...

"Cada besta dá seu coice!"

VIVA A BRUXINHA ! JÁ VOTEI e é GIRÍSSIMA!

Um abraço.

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