3/14/07

FARINGITES, AUTOMÓVEIS e CLOACAS



Um solinho tão convidativo e eu sem qualquer disposição para passear e aproveitar esta autêntica Primavera fora de época. A culpa é de uma faringite que transformou a minha voz num ronco de automóvel. Eu já estava ligeiramente constipada. Os sintomas são muito típicos: pus na garganta, febre moderada, dor de garganta, dificuldade em engolir. Depois de ter ligado três dias seguidos para o Centro de Saúde sem conseguir consulta para a minha médica de família arrisquei ir à farmácia local comprar antibiótico mas a estagiária de serviço não esteve pelos ajustes, não, sem receita médica não lhe vendo isso a si nem a ninguém, toma isso muitas vezes, olhe que isso é antibiótico, claro, havia de ser o quê, cara linda,mata-ratos?!!É claro que não desisti, fui a outra farmácia. E lá consegui a caixinha milagrosa mas por intermédio de terceira pessoa. Eu conheço os riscos da auto medicação, sim senhora, e não costumo tomar antibiótico como quem toma Smarties. Mas também não percebo como é que um médico nos diz para fazer AHHHHHHHHHH, coloca a espátula na nossa língua, olha para a nossa garganta e distingue entre maleita causada por bactéria ou por vírus. Eu sei que devíamos fazer análises, ver contagem de glóbulos e tal, suponho que mais alguns testes para ter um diagnóstico certinho. Algum médico vos fez isto alguma vez? Também não percebo porque é que as farmácias vendem antibióticos aos seus clientes regulares mas não a um qualquer estranho que lhes aparece ao balcão. Os conhecidos correm menos riscos na auto-medicação? As farmácias sentem-se menos responsáveis por eles e mais por nós a quem nunca viram? Ah, se é isso, obrigada.

A última vez que tomei antibiótico foi em 2005. Trabalhava num sítio inenarrável, com pessoas inenarráveis. Tive problemas inenarráveis e o meu sistema imunitário acusou toda a inenarrabilidade da situação resolvendo ir de férias e deixando o meu corpinho entregue à bicharada microscópica. Durante meio ano coleccionei tosses miúdas, febres, dores, espirros e faltas de apetite que me transformaram numa esbelta moça. Nesse meio ano visitei mais vezes o Centro de Saúde do que em toda a minha vida! Surpreendentemente tudo parou quando deixei de trabalhar nesse inenarrável local. Fim da inenarrável história. Mas não desta: ora ao fim de dois anos tão limpinha de drogas que mal haverá se me automedicar uma vezita com um antibióticozito? E agora vou limpar o carro antes que se faça noite e frio e eles regressem, sim,eles, os pombos que entenderam fazer do tejadilho negro do meu carro um alvo.E a avaliar pela pintura estrelada que vejo da janela devem ter passado a noite passada de cloaca apontada, como é que é possível fazerem-me uma coisa destas!, a mim que até lhes dou milho. A mim que até os resgato quando me caiem pela lareira abaixo e os devolvo, preocupada, à liberdade dos céus!Nunca mais. Está decidido.Milho, nunca mais.

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