11/12/06

Panorama zoológico


Alguém aí coleccionou estes cromos? Eu adoro este álbum! Panorama Zoológico! É preciso pensar numa coisa: nos anos 70 a televisão era a preto e branco - veja aqui uma grelha de televisão em 1974 -  e quem gostasse de animais contava apenas com os livros para se deleitar com as suas cores. E eu não tinha pilhas de livros como tem hoje o meu sobrinho. Eram uma meia dúzia e já eram muitos. Nada de enciclopédias em DVD, nada de CD-Roms interactivos com os sons do bichos. Por isso este álbum era uma preciosidade. A televisão a preto branco dos meus pais era uma Philips. Ainda a guardo mesmo se não funciona!!! Tem do lado direito superior sete botões salientes, de plástico a imitar o metal. Servem para sintonizar os canais, VHS, UHS, a coisa faz-se manualmente, rodando, com jeitinho, polegar e indicador. Uma pequena barra vermelha desloca-se numa calha até ao ponto certo. Mais três botões para regular som, contraste, luz. Mais um botão para ligar e desligar. Abaixo a saída de som, nada stereo. Nada de controlos remotos, nada de buscas ou sintonizações automáticas, menus ou outros. Tem um ecrã plástico, preto, sobresposto ao original, de vidro muito claro e cantos arredondados. É forrada numa matéria plástica a imitar madeira. Esta TV é o equivalente do vira-lata que encontrou um dono piedoso. Se depender de mim vou guardá-la para sempre. Ninguém mais lhe dá valor. Só eu. Foi ali que vi, na minha infância, um programa chamado Expedição, penso que em parte por causa dele quis ser veterinária!! (Ver o video no final da postagem!)  Era transmitido aos Domingos, próximo da hora de almoço, depois da Eucaristia Dominical. Travava eu uma luta desigual porque coincidia com a bastante mais sagrada hora da refeição familiar e eu, criança, queria era ver a bicharada, e os meus pais, adultos, queriam era que eu cumprisse horários e o ritual da refeição em família. Eles ganhavam. Eu comia tudo à pressa, pouco e mal, e regressava, logo que podia, ao sofá de napa vermelha e pernas cónicas de madeira, sem sobremesa, engasgada, mas lá estava eu a olhar de novo a bicharada a preto-e-branco. Ainda me lembro da música de abertura e do genérico. Só muito mais tarde chegariam a televisão a cores e programas verdadeiramente excepcionais sobre a Natureza, como o Planeta Vivo. Continuo a ver documentários sobre a vida animal sempre que posso porque há sempre novas descobertas, ou uma nova perspectiva ou um animal que desconhecia. O último que vi foi sobre a fauna em Madagáscar. Não. Minto. Foi sobre salvamento de orangotangos capturados por caçadores furtivos na Indonésia. Mas de vez em quando ainda dou por mim a folhear o Panorama Zoológico!Eram 250 cromos de cores berrantes sobre o reino animal. Talvez por isso ainda hoje sei o que são antrópodos e nunca direi que Ofídio escreveu A arte de amar!

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